domingo, 11 de maio de 2014

Eu, Izabelly Possatto


As vezes perco-me nos meus próprios pensamentos do que faço despreocupadamente aqui. Quer dizer, pessoas estudam anos para comentar livros, tecer opiniões, instigar novas ideias ou meramente conhecer o mínimo que seja de crítica literária. E eis que eu em mera "ignorância" (e não uso o termo para me referir a qualidade negativa da palavra) resolvo comentar obras que ocupam espaço em minha estante.
Em primeiro lugar saliento que tudo aqui é feito de maneira amadora, logo, não há uma base cientificamente comprovada com teses, estudos, análises ou profundas reflexões. É pura e simplesmente um amontoar de palavras a respeito de um volume que deteve-me por algum tempo.
Em segundo lugar não pretendo criticar de maneira pejorativa nenhum dos exemplares, porém pretendo sim incluir meu julgamento pessoal em meio as análises. Portanto, aqueles que buscam um texto menos subjetivo e mais objetivo, esse definitivamente não é o lugar.
Por último, como não há dias definidos para estilos literários, sugiro que utilizem os marcadores para procurar por alguma obra que porventura esteja nesse espaço.

O livro escolhido de hoje foi o último exemplar físico que adquiri (na verdade ganhei do namorado mais que atencioso), chamado "Eu, Alex Cross. Isso porque nessas duas semanas que se passaram acabei lendo algumas outras coisas via computador mesmo - alguns textos, inclusive, que nem tradução efetiva tem em português, mas valeu o desafio. Em 224 páginas a editora Arqueiro nos leva a mais uma das histórias do detetive Alex Cross.

Durante a comemoração de seu aniversário eis que Cross recebe um telefonema interrompendo as festividades. Na linha um oficial avisa sobre o assassinato brutal de uma jovem chamada Caroline, Caroline Cross, sua sobrinha. Bastou saber disso para que o oficial da família recorresse a sua posição privilegiada no departamento de polícia, a fim de iniciar uma investigação a respeito do culpado pela morte de um membro de sua família.
Ao mesmo tempo sua avó, a Nana, passa por um grave problema de saúde, e de repente a fonte de sua sanidade e apreciadora de seus intermináveis casos precisa de alguém que cuide dela. Estaria Alex Cross pronto para assumir um papel mais próximo da sua família?
O enredo revela-se um mistério a partir do desenrolar da trama e da descobertas já das primeiras provas materiais e circunstancias. A partir desse ponto o detetive passa a enfrentar inúmeros segredos - a maioria dos quais jamais sonhou que pudesse ter envolvimento com a sua sobrinha.

A capa não fala por si só, mas confesso que por conhecer outras capas dessa mesma coleção e de outra do mesmo autor, sei que ela segue um padrão estético, que mantém o preto predominante e valoriza uma ilustração ou algo a mais colorido. Na contracapa uma faixa laranja destaca-se no contraste com o fundo escuro. Não há nenhum elemento que ganhe destaque na diagramação, nenhuma fonte ousada ou algo que mereça ganhar um destaque. É basicamente uma reprodução em massa de um projeto gráfico previamente pensado e trabalhado, que terá continuidade até o final da série.


James Brendan Patterson nasceu em 1947 e é um conhecido autor norte-americano conhecido por publicações de suspense, principalmente sob o viés do detetive Alex Cross. Apesar disso também arriscou alguns livros em outras áreas ou na mesma, porém com outro viés e personagens. Em aproximadamente 38 anos calcula-se que ele tenha escrito cerca de 130 livros - um número surpreendente para alguém que dedicou-se à escrita somente após a aposentadoria da carreira de publicitário, em 1996 (poderia-se dizer "uma verdadeira máquina"). Não por acaso algumas de suas obras acabaram nas telas de cinema ou TV e, assim como os livros, cativou seu público seleto.

sábado, 29 de março de 2014

O encontro de um romance



Não, antes que alguém me pergunte eu não procuro por um marido, já tenho um namorado maravilhoso (tirem o olho)! Acontece que algo nesse livro me chamou atenção. Eu já comentei algumas postagens antes que sou apaixonadas por romances bobinhos mamão com açúcar e historias gostosinhas que envolvem o leitor. Conhecia e gosto do trabalho de algumas autoras estrangeiras, como Sophie Kinsella, Meg Cabot e Marian Keyes, mas eis que uma olhada na livraria em busca de um bom e grande livro para minha viagem resultou nos meus olhos grudados em "Procura-se um marido". É bem verdade que me encantei por outros mais, contudo esse não saía de minha cabeça, e o fato de ser escrito por uma brasileira (mais tarde conto mais dela) me instigou ainda mais. Ora, nunca havia lido um nesse nível de boas escritoras nesse gênero que gosto tanto produzido por alguém próximo, na minha língua e pensei que mal não faria em descobrir as próximas páginas; valeu cada centavo.
Infeliz ou felizmente a publicação é maravilhosa, de tal maneira que fixei meu olhar nela e a li praticamente toda no meu trajeto tarde/noite no aeroporto. As 472 páginas voam de maneira que você não percebe, e só entende que o livro chegou ao fim no ponto final. É como se ele se intensificasse a cada parágrafo. As dores da personagem viram suas, as histórias podem ser nitidamente imaginadas, o roteiro é como se fosse real. E o mundo lá fora fica esquecido. Nada de prestar atenção nas comissárias e seus procedimentos de voo, ou nas crianças que gritam na sala de embarque, tudo se resume a obra. A própria autora confessou que emprestou seus próprios sentimentos à confecção da obra, nada mais natural, uma vez que todo escritor cria - ainda que de inconscientemente - um personagem que carregue suas características e seja sua semelhança.
A história gira em torno de Alicia, uma garota rica que é criada pelo avô após a morte dos pais em um atentado quando ela ainda era uma criança. Sem saber de um sério problema de saúde dele, ela vive uma vida desenfreada de gastos e confusões no exterior, até que a súbita morte do senhor a deixa tecnicamente sem nada. Obrigada a conter gastos e a viver regrada por um tutor, a jovem não vê outra alternativa a não ser cumprir uma cláusula de casamento para conquistar sua independência financeira e poder ter sua realidade de volta. O que ela não contava era conhecer seu marido ...
Sinceramente achei a capa bem fraca. Por ter trabalhado em editoração de livros encaro essa página o "chamariz" da história. Não a classificarei como feia e até gostei da fonte do título, entretanto ela não representa a ideia geral traçada pela autora no decorrer da obra. Ao bater o olho pensei ser mais uma daquelas publicações resgatadas após o lançamento de um filme e que ganhou a capa devido aos atores principais. Tudo isso porque acredito que a foto não foi a melhor saída para essa edição. Relevem isso (como eu fiz), percebam a boa ficção presente nas páginas e descubram um novo nome a acompanhar na literatura - e esse é brasileiro, oba.
Um romance bem delineado no estilo comédia romântica tipicamente americana. Para quem gosta desse tipo de leitura pode apostar que se envolverá no enredo e participará de todo sofrimento e alegria da trama. O leitor não deve esperar grandes surpresas, é algo previsível, mas que apresenta um elevado padrão, principalmente por se tratar de uma publicação nacional. Como mencionei anteriormente, a autora é uma grande descoberta nessa área. Recomendo aos que gostam.

Carina Rissi é paulista de Ariranha, interior de São Paulo, e confessa nas páginas finais de "Procura-se um marido" que sempre lê o fim do livro antes de decidir se o levará. Essa publicação é a segunda, e foi antecedida por "Perdida: um amor que ultrapassa as barreiras do tempo", que assim como na história que narrei acima, tem no amor o tema principal do enredo. Em entrevista para um blogger confessou que acabou por acaso no ramo literário incentivada pelo marido. Resta-me agora acompanhar a produção dela, que promete ser uma boa escritora nesse estilo.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

A encantadora Liesel Meminger




A vida de Liesel Meminger ganha sentido a cada página percorrida na obra de 494 páginas. Abandonada pela mãe em um lar estranho com um pai afetuoso e uma mãe firme, a menina desde cedo aprendeu a sobreviver. Viu seu irmão mais novo morrer, no cemitério roubou seu primeiro livro e o carregou consigo para um mundo novo. Sem saber ler ou escrever, aprendeu aos poucos a construir palavras. A paciência da figura paterna a ensinou cada articulação, e logo ela já não era mais analfabeta.
Em um tempo em que Hitler era exaltado na Alemanha, Liesel precisou canalizar todas as suas frustrações, esperanças e pesadelos na leitura, sua válvula de escape. Não bastasse isso ainda conhece Max, um judeu abrigado na pequena casa em que vivia, e figura que acabou se tornando um grande amigo com o passar dos anos. Os primeiros roubos, decepções, alegrias e amor ficaram registrados numa ficção com um grande toque de realidade.
São capítulos nem sempre muito claros. Não aconselho a um inexperiente e pesaroso leitor a se aventurar pelas páginas desse drama, pelo contrário. Recomendo a obra, com louvor, porém somente àqueles com alguma destreza literária - uma espécie de malícia - e que possam compreender os sentimentos de uma jovem adolescente.
"A menina que roubava livros" não é uma história que marcou uma legião, contudo é uma leitura que certamente inspira séria reflexão a todos que a leem. Isso porque trabalhar a questão nazista é sempre algo extremamente delicado, e se não for bem feito pode ser o ingrediente para o erro. Nessa mistura entre imaginário e realidade, entretanto, o autor soube contrabalancear os efeitos de ambos; um bestseller no melhor efeito das palavras.
A capa da publicação de reveladora não tem nada. Lembro de minha própria estranheza ao ganhar o livro, parecia que ele não me passaria nada. Fonte serifada (confesso que as vezes a encaro com um extremo pré-conceito nas capas), um branco que prendia o olhar, árvore preta, pessoa preta e uma única com em dois elementos: o vermelho, presente tanto na palavra "livro" (em destaque no título), quanto no guarda-chuva. Um [bom] mistério até hoje devido aos inúmeros significados que agora me representam.
Por isso, não um mero acaso levou os capítulos do livro a serem cenas de um filme de mesmo nome. A história de Liesel foi contada quase que de maneira magistral na direção de Brian Percival em pouco mais de 2h de duração. Uma boa pedida para os fãs menos entusiasmados com as palavras, um melhor efeito do drama.
Preparem os lenços e escolham a sua preferência. A minha continuará sendo a literatura.



Markus Zusak é o autor responsável por "A menina que roubava livros". Apesar da mistura entre seus pais (sua mãe é alemã e seu pai austríaco), Zusak é australiano e o mais novo entre quatro irmãos. Escreveu cinco livros, incluindo o bestseller aqui mencionado que alcançou a tradução para mais de 30 idiomas. Em entrevistas ele conta que optou pelo enredo por ter crescido com histórias sobre a Alemanha nazista e todo domínio que Hitler imperou no país e no mundo.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Em clima de breve romance



Confesso que ainda tenho uma veia adolescente, principalmente quando o assunto são os livros. Minha idade evolui, mas continuo adorando as publicações mais bobas possíveis, aquelas de ficção pura e sem um conteúdo relevante para a sociedade. Isso se reflete no livro escolhido de hoje.

De autoria de Meg Cabot, ele é tipicamente um romance fofo que figuraria fácil as estantes de uma sessão adulta nas livrarias. "Ela foi até o fim" conta a história da premiada roteirista Lou Calabrese, que escreve um filme e torna seu namorado em um astro do cinema. O problema é que quando acabam as filmagens, ele a troca por uma outra atriz temperamental com quem havia contracenado no papel. Assim seus dez anos de namoro a fizeram refletir suas escolhas e buscar novos rumos para sua vida. Do outro lado desse contexto estava Jack Towsand, um rico ator que tem a tradição de ser mulherengo, e que vê sua namorada subitamente terminar o relacionamento e subir ao altar com Barry (ex de Lou).
A roteirista, buscando continuar com sua rotina, mantém seus trabalhos e viaja para acompanhar a gravação das filmagens de uma cena - na verdade ela tentaria impedir a explosão de uma mina, que estava gerando repercussão negativa entre ambientalistas. É nesse momento que ela descobre que o bonito ator viajaria com ela no helicóptero, e onde toda aventura tem início.
Os dois são vítimas de um atentado no frio e neve do Alasca. Sobra para Lou e Jack aprenderem a conviver e sair de toda essa enrascada. Muitas coisas acontecem nesse intervalo, e pode ser que toda essa confusão nem seja o pior da história.
Não é uma obra para ser lida a espera de grandes dramas ou revelações, contudo recomendo. Os personagens ganham algum destaque, a descrição das cenas é realmente verdadeira. Os opostos transmitidos por Lou e Jack tornam o romance ácido e engraçado simultaneamente. Apesar de não ser uma série, vale a pena uma leitura. Uma publicação pequena e que é facilmente "devorável" pelos ávidos amantes de histórias.
Em 399 páginas, Meg prende o leitor na narrativa; aconselho!

Meg Cabot é uma escritora com mais de 60 livros publicados, dentre eles a famosa série de "O diário da princesa", que marcou a adolescência de inúmeras meninas (inclusive a minha). Leitora de Jane Austen em sua juventude, largou a carreira de ilustração para dedicar-se a literatura. Em vinda ao Brasil em 2009 se disse fã da escritora Clarice Lispector, tendo, inclusive, encomendado uma de suas célebres obras, "Laços de Família".
Para quem ainda não conhece sua escrita, leiam. Sem esperar reflexões ou análises. São livros de puro entretenimento, mas dão uma boa diversão!

domingo, 2 de fevereiro de 2014

O jornalismo na literatura



Para fazer um Trabalho de Conclusão de Curso é preciso ler, e muito. Isso foi justamente o que fiz, mas tomei o cuidado de ler além das teorias e definições do tema. Busquei exemplos, devorei obras de livro-reportagem. Sempre foi um gênero que me atraiu - aliás quase todos me atraem - e uma a uma li, reli e me apaixonei. Foram quatro anos no curso de Comunicação, mas parece que o tempo passou ainda mais rápido. Lembro-me da minha primeira aula de Teorias e Práticas do Jornalismo em que ouvi sobre Truman Capote, um pioneiro do clássico jornalismo literário que teve, entre suas obras famosas o clássico "Breakfast at Tiffany's", de 1958 (mais conhecido por nós brasileiros como "Bonequinha de Luxo").

O roteiro hoje, porém, não será para falar desse exemplar. A conversa será em torno de "A Sangue Frio" (1966), um livro sobre a história de um brutal assassinato da família Clutter na pacata cidade de Holocom, no estado do Kansas, Estados Unidos. O crime aconteceu em 15 de novembro de 1959 e Capote viaja até a cidade para entender melhor o enredo e poder construir uma narrativa completa, com a apresentação da tragédia com todos os detalhes. Há, inclusive, a psicologia dos assassinos, que mataram os quatro membros da família (pai, mãe e um casal de filhos adolescentes) por um rádio da marca Zenith, um par de binóculos e 40 dólares.
Sinceramente eu esperava mais do livro. Acho que ouvi tanto sobre essa publicação que criei uma expectativa muito alta, mas particularmente prefiro outros livros do gênero. Entretanto, é um livro que vale a leitura pela riqueza de detalhes e a explicação completa do crime. Tudo isso devido a riqueza de detalhes traçado pelo autor em muitas de suas entrevistas feitas com familiares dos Clutter, habitantes da cidade e até com os assassinos - dizem que Capote chegou a ter um romance com um deles (Perry Smith).
O texto é bem escrito, em uma linguagem fácil de ser compreendida e mostra um bom preparo na interpretação de fatos e na própria construção da história. Todas as entrevistas deram um bom embasamento para a análise e ajudaram no próprio enredo, que ganhou riqueza de detalhes.
Aos que gostam do gênero, leiam. O livro foi mais um dos que compôs a lista de indicações do estilo para compor a maneira de retratar meu tema do TCC.

Truman Capote é na verdade Truman Streckfus Persons e conseguiu com "A sangue frio" o rendimento financeiro para sua vida - o livro foi indicado a cinco Oscar. Apesar de ter uma infância marcada pela negligência dos pais, a criação dos parentes de sua mãe permitiu que ele se destacasse desde criança, uma vez que aprendeu a ler e escrever ainda antes de ingressar na primeira série.

domingo, 26 de janeiro de 2014

oito anos e meio e uma biografia

O que você faria em 3096 dias?



Eu ainda estudava, mais precisamente troquei de escola, passei no vestibular, dancei, me mudei de cidade, vivi um sonho, voltei para a realidade, praticamente terminei minha faculdade e vivi, tudo isso em um espaço de tempo de oito anos e meio. Por isso não foi surpresa um livro com a lombada branca e que começava com um número alto ter me chamado a atenção em um sebo de Vitória. O resgatei dentre tantos outros que dividiam-se em um espaço espremido, muitos dos quais acredito que nem tenham ganhado o meu olhar, mas esse me fisgou; como amor a primeira vista (e aqui meu namorado vai me desculpar).
Por isso fiquei tão intrigada quando li "3096 dias Natascha Kampusch", e logo uma notícia vista anos atrás de uma menina loira sequestrada me veio a mente. Não lembrava ao certo o enredo, mas sabia de detalhes por alto, ainda assim me interessei e achei que talvez os dezesseis reais desembolsados pela publicação valessem a pena. Hoje não me arrependo de nenhum centavo gasto nele.
Na quarta série Natascha convenceu sua mãe a deixá-la ir sozinha para a escola. Bastava atravessar seu condomínio e andar um pequeno trecho que ela conhecia perfeitamente para chegar ao destino, ela conseguia fazer aquilo. Naquela manhã discutiu com a mãe e ainda chorosa saiu para sua primeira caminhada rumo a sala de aula. Nunca chegou. Aos dez anos foi sequestrada e por 3096 dias viveu em um pequeno cativeiro sem contato com praticamente ninguém exceto Wolfgang Prikopil. Ao longo dos dias e anos foi mal alimentada e sofreu um abuso psicológico, sexual e moral, além dos diversos outros existentes.
O pequeno espaço continha seis metros quadrados e servia de abrigo para a jovem que ali viveu o fim da infância e sua adolescência. Foi privada de comida, água e luz, além de ter sofrido abusos e surras constantes por sua "desobediência". A biografia é impactante e narra com riqueza de detalhes a tortura e solidão que durou o cativeiro. A respeito do que a imprensa cobriu, com a fuga da menina o sequestrador cometeu suicídio, mas o final é a parte mais normal de um livro que surge com o inesperado a cada página, e aflige o leitor que sabe se tratar de um caso real.
Eu gosto de livros em geral e biografias tendem a ser interessantes, por isso não sou parâmetro em algumas situações, porém essa obra é tão fora do comum que minha mãe (e até minha tia) leram em uma velocidade impressionante. Mamãe então acho que nunca havia devorado um livro como fez com esse: levou apenas um final de semana - apesar de não ter me superado, pois li em um dia. São 223 páginas que parecem três. A história se desenrola, não há um dia como o outro, nem uma maneira de não se prender ou sentir ligada a narrativa. Ela é angustiante e brilhante ao mesmo tempo. Foi como ler o relato de Anne Frank e da guerra, mas tendo nesse caso um final mais próximo ao feliz.
Um documentário também foi produzido retratando o caso, contudo ainda prefiro a biografia - como sempre - pela riqueza de detalhes que podem passar imperceptível aos olhos do telespectador. Para quem já leu vale assistir.
O caso expôs a polícia austriaca e revelou diversos erros, como a falta de suporte no depoimento de uma menina que presenciou o sequestro e que nunca foi solicitada para descrever o bandido para um esboço de retrato falado, ou a visita da polícia o 43º dia do rapto, quando haviam divulgado a pista da van branca que levara a menina. Prikopil colocou diversos entulhos para simular uma reforma da casa no carro que não recebeu a devida vistoria dos policiais. Além disso devido ao seu espírito cooperativo, cães farejadores nunca foram levados a sua casa - e por conseguinte não descobriram antes da fuga da menina o cativeiro. Falhas essas que poderiam ter evitado anos de abuso infantil.
Dizer que o livro é fantástico se torna, portanto, uma redundância que fiz questão de colocar aqui. Vale a pena a leitura. Segue abaixo um trailer do documentário "3096 days".


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Sutilidade presente nas estrelas



Já estava escrito na Bíblia que "o filho pródigo a casa torna", pois estou de volta. Ainda mais sem tempo que antes, porém aos poucos isso acaba, já que estou ao final do meu Trabalho de Conclusão de Curso, que como amante da dança e dos livros se tornará um livro-reportagem - em breve maiores detalhes, por enquanto puro segredo!

O livro escolhido de hoje não é um clássico (ainda), tampouco tem anos de tradição ou uma história de intrigas e desafios. Ele é simples, mas cativante; emocionante, mas verdadeiro; ficção, mas tão real que tudo parece fazer parte de um enredo profundamente vivido por alguém nas condições descritas. Esther Earl modificou a maneira do autor de encarar a realidade. Como algum leitor (se é que isso ainda tem pessoas que leem e não uma vaga - e quase ex - estudante de jornalismo a divagar suas vagas filosofias) mais atento deve ter percebido, o livro em questão chama-se "A culpa é das estrelas" (2012), de John Green.
A publicação trata sobre a vida, o cotidiano, os sonhos, desafios e as perdas que uma menina de 16 para 17 anos enfrenta com um câncer estágio IV originado na Tireoide, mas com metástase nos pulmões. A sobrevivência de Hazel não é fácil. A incerteza de uma morte certa em alguns anos a mais - prolongados com o auxílio de uma medicação ainda em teste - era um incentivo para ela evitar sua adolescência e o turbilhão de sentimentos que nela existem. Nada parecia realmente ter um significado em seus dias, até o momento em que conhece Augustus em uma reunião para sobreviventes do câncer. O enredo é todo construído na simplicidade e no singelo descobrimento do amor adolescente em uma forma mais pura, com os olhos inexperientes e ao mesmo tempo maduros de Hazel, que mesmo ainda pequena já havia enfrentado mais dificuldades que muitos adultos.
A simplicidade da escrita que preenche lacunas, torna a leitura uma descoberta a cada linha. O leitor não consegue parar e simplesmente devora o livro; sem exageros. Palavra por palavra Hazel ganha vida nas 283 páginas que compõem a obra em sua tradução para o português. Em um romance totalmente dramático aconselho aos emotivos que preparem os lenços, as lágrimas aparecem involuntariamente tal a beleza e identificação com os personagens.
Se a capa me despertou uma curiosidade há tempos, optei por esperar algum tempo antes de cogitar adquirir o livro por temer que pudesse ser apenas mais algum sucesso adolescente febril. Não é. Ganhei de presente e recomendo para um, uma pitada de tudo aquilo que há algum tempo não encontrava em um livro jovem com essas características. Se precisasse escolher um título para comparação não ousaria e colocaria o infanto-juvenil Pollyanna (1913) e seu jogo do contente no páreo. Quem nunca leu, leia, os dois de uma só vez.
"A culpa é das estrelas" foi inspirado em uma jovem em semelhança com Hazel, seu nome verdadeiro era Esther Earl. Em uma postagem da editora Intrínseca, responsável pela publicação no Brasil, o autor fala:

"Eu gostaria que ela tivesse lido A culpa é das estrelas. Imagino que teria achado um livro um pouco improvável, mas espero que ainda assim teria gostado dele. Só que nunca saberei. Estou impressionado com o fato de o livro ter alcançado um público tão amplo, mas a pessoa que eu mais quero que o leia nunca o lerá".

Chorei novamente!

ps.: O livro está previsto para sair em filme ainda esse ano.


John Green, nascido em agosto de 1977 em Indianápolis, nos Estados Unidos, formou-se no ano de 2000 em Inglês e Estudos Religiosos. Teve como primeiro livro "Quem é você, Alasca?" (2005), que ganhou o prêmio Michael L. Printz (da American Library Association) por "excelência em literatura para jovens adultos". Escreve histórias simples, leves e que nos fazem sentir. Ainda não o conheço tão bem, mas certamente lerei mais.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Registros

Julho, agosto e uma parte de setembro passaram e o blog ficou. Parado em uma dimensão, não escrito, não bailado. Devo isso a uma agenda corrida, reflexos da recuperação de greve da universidade federal, dos compromissos e da dança.

Prometo tentar voltar com uma certa regularidade. No momento acabo de chegar de duas competições em sequência e inicio o Trabalho de Conclusão de Curso, por isso sei que essa tarefa pode não ser tão fácil de manter, mas tentarei.

Por hoje deixo mais uma das minhas inúmeras reflexões que não necessariamente tem um final.


Interpretação

Nunca mais pode ser em vão
pode ser breve, até logo, passageiro.
Nunca mais é forte, é fraco
é palavra jogada e nem sempre seguida.
Nunca mais é algo muito longo para ser dito
principalmente em dias de mudança.
É marcante, fixa.
Nunca mais talvez seja um até amanhã
ou mesmo um breve adeus.
Tem cara de despedida,
de encontro e de partida.
Nunca não diz sempre nunca
mais pode ser menos
ou menos mais.
Tanto faz.


Nunca mais.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Fragmentalismo

Menos fraquezas que levam a incertezas.
Menos histórias mal contadas, desculpas inventadas e frases desconexas.
Menos ontem e amanhã.
Mais hoje
Mais certeza
Mais além.

Mais amor, vida, construção e palavras doces.
Mais sentimentalismo
sentimento sinto amo
sentimentando.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Reflexão com sentimentalismo, a história de Querido John



O livro Querido John pode não ser um clássico da literatura, mas me faz lembrar de alguns outros que realmente emocionam. Nicholas Sparks é um mestre nessa arte da lágrima derramada. Na verdade ele é um dos verdadeiros artistas, porque você lê, envolve-se com o enredo e com os personagens, imagina as cenas e até os aspectos de cada um e quando percebe está aos prantos porque realmente acredita naquela história. Li apenas três livros dele e hoje relato Querido John aqui segundo minha visão. Não quero subestimar opiniões profissionais e tampouco dizer que minhas colocações são estritamente verdadeiras, apenas gostaria de colocar minhas palavras e as visões que tive após ler o livro.

Tive a oportunidade de conhecer John Tyree e Savannah Lynn Curtis - os protagonistas da história - antes de qualquer trailer ou das primeiras imagens do filme em minha memória. Não fariam diferença porque confesso que o livro é infinitamente mais emocionante. Sparks descreve e analisa tão subjetivamente cada personagem que você sente cheiros e imagina assistir a história ao vivo naquele instante. Um amor que nasce do imprevisto, que floresce da amizade prova em mais uma história que amigos nem sempre precisam ser somente amigos. O que aconteceria se John e Savannah nunca tivessem arriscado? Milhões de lágrimas a menos tenho certeza.

Querido John relata um amor à distância, que se mantém ao longo do ano com a promessa de um reencontro após John servir o tempo de exército necessário. Cartas e longas declarações de amor eram trocadas com ânsia de jovens amantes apaixonados. Tudo parece bem e encaminha-se para o final feliz das histórias românticas de sucesso "Hollywoodiana", porém nesse meio tempo uma tragédia americana acontece: o atentado contra as Torres Gêmeas e o Pentágono. John como cidadão americano sente-se tocado e entende a necessidade de servir novamente pelo país, defender suas bases e ideologia. Savannah não entende essa escolha e, apesar de um amor puro e visível entre os dois, o relacionamento é interrompido. As vidas passam e o livro mostra que quando o amor é verdadeiro nunca deixa de ser sentido quando se pensa ou está com a pessoa certa.

Narrado em primeira pessoa, Querido John ainda aborda outras histórias paralelas que também compõem o enredo e fazem parte do significado do amor. Há o claro amor entre pai e filho explícito na relação de John e seu pai (que criou o filho após o abandono da mulher), além do amor fraternal, que leva Savannah a envolver-se com outra pessoa durante a história. Talvez a falha do filme tenha sido não conseguir passar a importância de todas as histórias e reflexões sobre esse sentimento. O livro é muito mais que o casal principal, ele transborda emoção. É uma leitura profunda e que merece ser feita única e exclusivamente se você tem tempo e paciência para pensar em suas atitudes e emoções. Não é somente o texto ou o contexto que encantam, são as reflexões que você pode tirar deles que transformam a história em uma narrativa única e singular.

Minha dica é ler sempre. Prefira o livro ao invés do filme, caso sua curiosidade seja muita assista, mas somente depois de apreciar a leitura porque a publicação é fantástica, ao contrário do longa metragem. Leia e envolva-se com cada um dos personagens, experimente usar sua imaginação. Você verá que com Sparks isso é possível - na verdade arrisco a dizer que é exigido. O seu subconsciente imagina as paisagens e cada cena. São inúmeros frames que passam em sua mente a cada linha. E quando a primeira lágrima cair saiba que é apenas o início, muitas outras virão. Concentre-se em continuar a viver a história e aproveite a emoção.



Nicholas Sparks viveu sua juventude na Califórnia e atualmente reside na Carolina do Norte com sua família. Em 1988 graduou-se em Economia pela Universidade de Notre Dame e seu sonho era o de ser um atleta de alto nível - sonho esse que foi abandonado após um acidente. Começou a escrever enquanto trabalhava como delegado de informação médica, e quando surge uma agente disposta a representá-lo e propõe a venda dos direitos de seu primeiro romance (Diário de uma Paixão) à Warner Books, Sparks conquista o gosto do público feminino.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Intitulado

Reúne. Organiza. Agita. Sorri. Grita. Aplaude. Brinca. Dorme. Estuda. Preocupa. Conta. Recolhe. Pensa. Arruma. Programa. Escreve. Apaga. Anota. Confere. Olha. Fotografa. Filma. Posa. Anda. Entra. Sai. Tenta. Erra. Tenta. Acerta. Fala. Escuta. Questiona. Ouve. Rescreve. Corrige. Confia. Conduz. Exercita. Durma. Acorda. Descubra.

... que o dia passou e muito mais coisas você fez e aprendeu.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O talento de Janet Malcolm em "Anatomia de um julgamento"


Em Junho do ano passado fui apresentada a um livro que passou a ser minha busca constante nas livrarias. Infelizmente aqui no estado ele não era dos mais fáceis de ser localizado, ou quando encontrado acabava figurando-se muito caro. Anatomia de um julgamento: Ifigênia em Forest Hills foi escrito por Janet Malcolm - mesma autora do consagrado livro O jornalista e o assassino (conhecido por profissionais da comunicação).
O livro descreve um julgamento a partir do ponto de vista da jornalista que o presenciou e teve a oportunidade de acompanhar o caso desde o início até o final da sentença. Inicialmente o caso parece ser simples. As provas levam a crer que a respeitada médica Mazoltuv Borukhova, uma judia ortodoxa de uma seita bucarana, contratou uma pessoa para matar o ex-marido, um dentista. O motivo seria a perda da guarda da única filha do casal após o divórcio. Todos esperam uma condenação rápida e sem muita demora, a imprensa cobre o caso como a vitória certa da promotoria.
O caso se desenrola e paira a eterna dúvida no ar sobre a cobertura da imprensa a o uso dos meios de comunicação para manipulação inclusive do próprio corpo de jurados. Não apontarei o final do livro, mas posso dizer que o desenrolar da história acrescido com a entrevista que há no último capítulo servem para refletir o poder da imprensa e do jornalista. São verdades, sabedoria e experiência que Malcolm passa em suas respostas.
O interessante de observar é que a escrita do livro segue um padrão consistente com uma matéria. É como se fosse um artigo descritivo, sem ficção alguma. São fatos contados de maneira consistente e direta, em uma linguagem fácil de ser entendida e para prender a atenção do leitor, mesmo daqueles que não são das áreas de comunicação ou direito - as mais explícitas no julgamento.
A capa da publicação é de longe a mais interessante (ou perto) das que eu vi. Em um tom marrom puxado para o vermelho, combina algumas tipografias e cores, mas não apresenta nada de atraente. O que talvez chame atenção logo de cara é a sinopse que foi o que prendeu minha atenção. Se a capa não me cativou, não posso dizer o mesmo do conteúdo, e foi lendo um pouco mais do livro é que me interessei.
Para aqueles e aquelas que leram esse livro e gostaram do estilo, da temática e querem a reflexão do impacto da cobertura do jornalismo em nossa sociedade, recomendo Bar Bodega, já descrito aqui em postagem anterior (para acessar a postagem clique no hiperlink).

Janet Malcolm: natural de Praga, emigrou para os Estados Unidos com a família aos cinco anos, em 1939. É escritora da revista norte americana The New Yorker e autora de diversos outros livros, entre eles o consagrado "O jornalista e o assassino".

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

É tudo novo, de novo.

Dois mil e doze, um ano que definitivamente não terminou. Paródias a parte com o livro de Zuenir Ventura, vivemos 12 meses na expectativa de um fim para uns e novo começo para outros. O mundo felizmente não acabou - se é que em algum momento realmente chegou-se a acreditar nesse final - e os fogos agora simbolizam muito mais um recomeço. E nada melhor do que iniciar uma nova jornada, lançar sonhos e desafios a fim de que barreiras sejam quebradas ao longo de doze meses.
Em 2012 eu aprendi a me ouvir mais e fazer ser ouvida. Pude conhecer novas pessoas, viajar, sorrir, chorar e comemorar. Coincidentemente três anos após meu primeiro diploma, o do Bolshoi, recebi meu segundo; dessa vez estava formada pela Escuela Nacional de Cuba, um novo sonho e desafio concretizado após tantos anos de escola. Somado a isso inúmeras conquistas e muito aprendizado. Que no ano que começa eu possa ousar e ir além, não ter medo de arriscar e investir tudo naquilo que realmente acredito e quero, ao menos momentaneamente, para minha vida.
O ano que acaba hoje foi o do conhecimento, ouso dizer. Quantas viagens e descobertas. Ilhéus, Ouro Preto, Joinville e Paraty. Seja com a família, com os amigos da Ufes ou do ballet, todas elas tiveram momentos incríveis e histórias que valem a pena ser registradas. Em uma conheci o tal do "molhinho branco"e registrei para nunca mais prová-lo puro (a menos que queira chorar e salivar por quase meia hora), descobri tanto de Jorge Amado; numa aventura descobri o quão perigoso pode ser pedir um táxi para aventurar-se por ladeiras íngremes e como precisamos de boa forma para subir um morro; a de Julho merece destaque pela felicidade que foi alcançar uma meta e olhar para o troféu, eternizado na escola, além de poder ter reencontrado pessoas incríveis e descoberto o quão desesperador pode ser a palavra alojamento. Por último, mas não menos especial, os segredos de uma cidadezinha própria para o turismo, a paisagem do passeio de escuna, as trocas de experiências, as fotos maravilhosas; o nascer do sol. Muitas foram as risadas e gargalhadas em todas elas.
Amizades foram mantidas, cada uma com sua particularidade. Velhos conhecidos aproximaram-se, quase todos mantiveram-se. É o momento de olhar para trás e ver quanto mudou, ainda que essa mudança tenha sido em tão pouco tempo. Laços estreitaram-se e promessas de um contato duradouro renovaram com o final dessa etapa.



O que esperar depois disso de 2013?
A cada ano que passa essa pergunta fica mais difícil que o anterior. Isso porque os sonhos, a medida que são alcançados, evoluem e tornam-se mais dinâmicos e ousados. Amadureço e lembro que agora é preciso pensar no que farei da vida. A faculdade entra em sua reta final, aproxima-se o trabalho de conclusão de curso, o mercado de trabalho e como tudo ficará? As amizades restringem-se, alguns poucos sobraram do Ensino Médio, esses são os verdadeiros. Uns mudaram, outros ainda evoluirão, poucos estagnaram-se na vida. Não importa, cada um tem as suas metas, seus desejos e seus próprios destinos, cabe a mim como amiga estar ao lado de cada um como suporte e para ouvir a todos.
Que comece meu novo ano, e em 2013 espero que realmente seja tudo novo. Desejo profundamente minha graduação, e, para isso, espero que as universidades não entrem em greve. Um pedido sincero e um dos maiores. Os outros? Deixo como reflexão geral!

A todos um excelente Réveillon, repleto de novos sonhos e realizações. Nos vemos ano que vem!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Eu confesso, sou viciada

Muitas pessoas tem um vício. Algumas de chocolate, cigarros, bebidas, carros, dinheiro. Eu também tenho os meus. Sou apaixonada por séries, aquelas americanas, britânicas, espanholas e todas as outras que possam ser simplesmente geniais. Não sei o que me faz grudar em uma série, na verdade nunca nem parei para pensar nesse pequeno detalhe. Só tenho o conhecimento que quando começo despretensiosamente a assistir uma série, sempre falo comigo que já tenho episódios demais para acompanhar e que aquela ali é só mais um passatempo entre as “final seasons” entre uma temporada e outra; pura ilusão.
Sabe qual a sensação de começar uma história, identificar-se com algum dos personagens ou mesmo com o enredo? Acha aquilo tudo muito surreal e ao mesmo tempo emocionante? Então bem vindo(a) ao time dos aficionados por séries. Aquelas produções que muitos comparam as novelas – um desrespeito. São episódios independentes, ou não, que geralmente mantém um núcleo central mais restrito e tem uma preparação e riqueza de detalhes muito maior que os folhetins brasileiros a que estamos acostumados. Ser viciado em seriados significa esperar arduamente cada lançamento, spoiler, promo, além de sofrer no período de abstenção – entre uma temporada e a próxima. Quer gosto pior do que saber, por exemplo, que aquela pode ser a última?
Tantos episódios já passaram pelo meu intenso acompanhamento. Inúmeros outros eu assisti “só de passagem”, não me identifiquei. O problema é quando eu gosto da coisa; vicio. Vejo títulos que diversas pessoas nem conhecem, são retardados, infantis, não mereceriam atenção de ninguém, mas e daí? Eu gosto, eu não ligo. Existem tantos vícios maléficos, considero esse uma espécie de autoajuda. Por causa dos seriados passei a estar imersa em outra língua, obrigando-me por diversas vezes a entender sem legenda o episódio inteiro – era isso ou esperar lançarem a legenda.
Então alguém me pergunta: “mas a quantas você acompanha?”. E sou obrigada a responder que não tenho a menor ideia. É sério. Tudo que sei é que existe uma lista que vou baixando e deliciando-me em todos os momentos livres que tenho, e diga-se de passagem que são raríssimos com a faculdade, o namorado, as saídas e minhas outras paixões que são a dança e os livros. Acredite que para um viciado tudo é possível e válido e sempre há espaço na agenda para mais um episódio.

Eu confessei que sou uma viciada. Já baixei até seriados que haviam terminado somente para meu deleite. A história mais épica foi assistir desde o primeiro episódio de ER, iniciado quando eu ainda era uma criança, até chegar na 13ª temporada, quando realmente consegui pegar o final da série. Hoje rio só de pensar o quanto me encantei com Abby ou Luka em seus mais diversos momentos. Ano passado despedi-me de House, que marcou meu Ensino Médio e por algum tempo foi um dos poucos títulos que acompanhava. Nada como doenças inimagináveis e enigmáticas, não havia o impossível para Gregory House. Após a saída da Cuddy decepcionei-me com todo o enredo e a história perdeu fundamento, entretanto lá estava eu a acompanhar a cada semana até o último, e lastimável episódio. A sorte é que os bons momentos do médico e de sua equipe superaram as duas terríveis últimas temporadas na minha opinião.
Semana passada um novo adeus. Gossip Girl me pegou desprevenida, o estilo de série que eu abominava, porém quando parei e resolvi superar meus preconceitos iniciais digo que calei minha boca. Ao contrário de House, um desfecho fantástico e muito melhor que os episódios iniciais. Em altos e baixos de seis temporadas, não foi de longe a melhor, contudo merece bons elogios, principalmente quando se trata de quem estava por trás da Gossip Girl, XoXo.
Pasmem ou não tem muitas outras em minha listinha que prefiro não comentar para evitar preconceitos ou julgamentos. Digo apenas que elas incluem desde séries policiais até médicas e adolescentes, vale de tudo – ou quase isso.
Esse foi meu vício confessado. E você, quais os seus vícios?

sábado, 22 de setembro de 2012

Um pequeno, porém sábio príncipe

Desde criança sempre fui apaixonada pelos livros. Lia tudo que me dessem e ainda conseguia ser uma viciada na biblioteca da escola quando muitos nem sabiam direito o que era isso. Aprendi a gostar de tantos livros e me encantar com diferentes histórias que muitas delas ainda são minhas companheiras anos depois, sempre lidas e com um olhar diferente. Um desses contos é o do "Pequeno Príncipe".
Com cerca de 9 ou 10 anos o li pela primeira vez. Não compreendi de imediato a essência das aventuras do príncipe, mas não deixei de ficar encantada com o livro e aquelas ilustrações estranhas que pareciam feitas por uma criança. Achei legal, nada mais que isso. Anos depois alguns professores comentaram sobre a riqueza da história e resolvi que deveria dar mais uma lida. Nessa época eu já devia estar com cerca de 14 anos, e surpreendi-me como nada mais parecia-se com a leitura que eu havia feito anteriormente. Prestei atenção em partes que eu jurava nunca ter percebido, tive uma outra visão literária e decidi que esse realmente era um livro incrível e digno de diversas interpretações. Por isso já mais velha resolvi que adoraria ter um exemplar e decidi comprá-lo em francês, pois nada melhor que a linguagem original dele, assim como as ilustrações.
É o livro de versão francesa mais vendido no mundo e uns dizem tratar-se da terceira obra mais traduzida mundialmente, tendo sido publicado em cerca de 220 idiomas ou dialetos.
 
Le Petit Prince nos mostra através de uma criança uma maneira filosófica e por meio do planeta que habitamos, os segredos e presentes da natureza. Além de escancancarar a solidão e as características, vaidades e histórias humanas. Por isso cada vez que o lê surge uma nova descoberta, uma maneira diferente de interpretar o enredo que é simples e marca com mensagens otimistas e de valorização do mundo em que vivemos. Toda essa obra de Saint-Exupéry trabalha os valores e por isso é tão indicada para todas as idades.
Abaixo um pequeno trecho do livro original em francês, seguido da tradução em português. É uma parte do diálogo entre o pequeno príncipe e uma raposa e nos dá uma dimensão da leveza e profundidade da leitura.
 
Em Francês:
"Je cherche les hommes, dit le petit prince. Qu’est-ce que signifie “apprivoiser”?
- Les hommes, dit le renard, ils ont des fusils et ils chassent. C’est bien gênant! Il élèvent aussi des poules. C’est leur seul intérêt. Tu cherches des poules?
- Non, dit le petit prince. Je cherche des amis. Qu’est-ce que signifie “apprivoiser”?
- C’est une chose trop oubliée, dit le renard. Ca signifie “créer des liens…”
- Créer des liens?
- Bien sûr, dit le renard. Tu n’es encore pour moi qu’un petit garçon tout semblable à cent mille petits garçons. Et je n’ai pas besoin de toi. Et tu n’a pas besoin de moi non plus. Je ne suis pour toi qu’un renard semblable à cent mille renards. Mais, si tu m’apprivoises, nous aurons besoin l’un de l’autre. Tu seras pour moi unique au monde. Je serai pour toi unique au monde…
- Je commence à comprendre, dit le petit prince. Il y a une fleur… je crois qu’elle m’aapprivoisé…"
 
Em Português:
"– Procuro os homens – disse o pequeno príncipe. – Que quer dizer “cativar”?
– Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
– Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
– É algo quase sempre esquecido – disse a raposa. – Significa “criar laços”…
– Criar laços?
– Exatamente – disse a raposa. – Tu não és ainda para mim senão um garoto igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo.
– Começo a compreender – disse o pequeno príncipe. – Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…"
 
 
Essa é a minha dica de leitura para essa semana. É realmente um livro digno de ser lido e relido, sempre com um novo olhar e descoberta.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Trilogia Millenium - ótima descoberta

Ser diretora de jornalismo de uma Empresa Júnior não é fácil, e ainda conciliar isso com projeto de pesquisa, universidade e dança menos ainda. Dei uma parada nas postagens por falta de tempo (coisa que eu nunca tenho mesmo, já acostumei), mas retomo agora.
Muitos foram os livros lidos durante essa pausa, mas um - ou melhor três - em especial chamou minha atenção. Falo aqui da trilogia Millenium, que causou grande impacto no ano passado com o lançamento do filme "Os homens que não amavam as mulheres".
 
Já havia ouvido por alto comentários sobre essa trilogia, porém nunca havia me atentado o quanto ela me interessaria. Suspence, bom enredo, toques de romance e muita coisa no ar. Tudo isso faz parte dos livros "Os homens que não amavam as mulheres", "A menina que brincava com fogo" e "A rainha do castelo de ar", de Stieg Larsson.
O autor dedica-se inteiramente ao tema do estupro como o central na narrativa. Em algumas partes a brutalidade que ele descreve a atmosfera pode até chocar o leitor. Pesquisando li em alguns sites alguns comentários que Larsson testemunhou em sua adolescência um estupro coletivo de uma jovem. Não sei até que ponto essa história é verídica, mas certamente essa fixação dele por esse assunto deve ter um fator para isso.
Apesar de ser uma trilogia, ao analisar separadamente o primeiro livro acaba sendo mais separado dos outros dois. É claro que quem opta por assistir o filme e ler os outros volumes perde essência e detalhes que podem deixar um espaço não preenchido em algumas partes do enredo. São volumes grandes, contudo possuem uma linguagem que flui. As palavras se completam e quando você começa a ler acaba preso à história e deseja saber o final - ainda que nos dois primeiros volumes não exista um final concreto (o que existe é um literal e inacabado, somente para satisfazer o leitor naquele momento a aguardar pela próxima publicação).
Como personagens centrais temos um jornalista, Mikael Blomkvist, e a hacker Lisbeth Salander. Os demais personagens variam de acordo com os livros; alguns se repetem, outros são novos e poucos são citados em todos, mas como personagens secundários.
 
Em "Os homens que não amavam as mulheres", Mikael Blomkvist perde credibilidade após uma publicação em sua revista, a Millenium. Para comprovar seu texto e ter tempo de buscar provas ele aceita um emprego como investigador disfarçado em um povoado distante da redação. Ele deveria passar-se por um escritor e realizar buscas por uma mulher desaparecida ou mesmo comprovar um crime contra ela - já que não haviam provas em relação ao desaparecimento e nenhum corpo nunca apareceu. Para ajudá-lo nesse desafio ele contrata Lisbeth Salander e usa seus talentos de hacker e investigadora para chegar a verdade.
 
"A menina que brincava com fogo" Lisbeth ganha a vez como protagonista. Se no primeiro livro ela já mostrava não ter nada de menina frágil, apesar de ser descrita nos moldes do que seria considerado delicado, nesse volume ela mostra sua força, inteligência e capacidade de resolver enigmas. Após um ano de viagens, Lisbeth Salander volta para a Suécia e acaba acusada de diversos crimes que não cometeu, entre eles a morte de Dag Svensson e sua namorada Mia. Dag havia sido contratado como freelancer pela Millenium - revista de Mikael Blomkvist - e estava prestes a publicar uma matéria investigativa sobre o tráfico de mulheres, enquanto Mia estava concluindo um livro que explorava além desse conteúdo, as ligações entre a SAPO - uma agência "extinta" da União Soviética. Por conhecer Lisbeth, Mikael reunirá forças e provas para provar a inocência de sua amiga.
 
O último volume "A rainha do castelo de ar" apresenta o desfecho e a ligação de vários personagens que poderiam parecer "soltos" na história até então. Finalmente o leitor descobrirá ao certo quem é Lisbeth Salander, seu passado e o que a levou a ter essa personalidade e se esquivar dessa maneira de tudo e todos. Na trama há Blomkvist horrorizado com toda história da menina e com o serviço secreto russo, que optou por internar Salander em uma clínica psiquiátrica e declará-la incapaz em troca de um assassino. Além disso também foram capazes de incriminá-la por diversos crimes (volume 2). A partir disso o jornalista irá reunir todas as forças e provas para ajudá-la a descobrir o responsável por tudo. E grandes revelações esperam nesse livro.
 
Bom, muitos são os elogios a essas edições, porém registro uma crítica. O final da trilogia é comum, sem nada grandioso e fica no ar se o autor algum dia não pensou em uma sequência ou um um volume explicativo de algum tempo depois. Nenhum personagem ganha um final marcado. Isso nunca saberemos ao certo, pois Stieg Larsson faleceu antes mesmo de poder conferir o sucesso de suas publicações.
 
Por hoje fico com essa postagem. Acompanhem as próximas histórias!

domingo, 25 de março de 2012

Vários mundos, mundos de Crestomanci

"Os mundos de Crestomanci" são livros infanto-juvenis sobre um mago, que controla o uso da magia em um mundo em que esta não é algo estranho ao cotidiano. Nas palavras dele cada pessoa nasce com diferentes cópias dela mesmo espalhada em inúmeros mundos paralelos. Ele é um Mago que é uma exceção a essa divisão de vidas. Todas as inúmeras vidas estão contidas nele em um só mundo e, por isso, todo cuidado é pouco.
O trabalho desse mago poderoso, chamado Crestomanci, é manter o nível da magia controlado. Cada mundo precisa de sua estabilidade necessária para funcionar e para isso ele conta com diversos ajudantes. Esses mundos paralelos são o resultado da divisão de um mundo após algum fato importante ter acontecido em um e não no outro. Alguns ficam com um predomínio de magia em relação a outros e aí começa o intercâmbio mágico entre esses mundos paralelos e é nesse contexto que Crestomanci surge para avaliar.
Uma outra característica desse mago misterioso é a de que ele tem o poder de aparecer em todo lugar assim que o chamam. Então basta a menção a Crestomanci e eis que ele atenderá o chamado - isso realmente lembra-me Harry Potter.

Eis as edições desses livros:
As vidas de Christopher Chant; Conrad's Fate; Vida Encantada; Os magos de Caprona; The Pinhoe Egg; Mil Mágicas; A Semana dos bruxos.

Para a autora, Diana Winne Jones, alguns livros poderiam ser lidos preferencialmente antes de outros, mas nada que complique quem leu em uma sequência inversa de entender a história. Até porque são mundos paralelos, ou seja, tem uma certa independência um do outro.

Diana Winne Jones era uma escritora britânica popularmente conhecida pelo gênero de fantasia em seus livros. Cursou inglês em Oxford e teve como um de seus professores C. S. Lewis (autor de Crônicas de Nárnia). Parte de sua série de livros tem edição traduzida, porém uma grande parte ainda não tem versão na língua portuguesa - ou seria brasileira?! Após o sucesso de Harry Potter por toda essa questão de mundo mágico seus livros voltaram a ser comentados e ganharam uma nova repercussão. Ela criou um mundo diferente, fantástico, porém que tem situações nem tão absurdas assim.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

um cheiro de cravo e canela

Jorge Amado é considerado um dos clássicos e épicos escritores nacionais. Esse ano é o centenário do advogado e jornalista e, por isso, resolvi conferir o estilo literário dele. Como primeiro romance escolhi Gabriela cravo e canela. Uma história gostosinha, "mamão com açúcar", para encantar jovens e adultos. Uma mistura de romance, história e por que não um certo drama? São tantos livros e ainda assim escolhi o dessa "menina-mulher" como o inicial ao invés de seu primeiro, por exemplo, que foi O País do carnaval.
Em linhas abaixo procurei resumir o mínimo que Gabriela retatou nas 358 páginas da edição que li. Não mencionei nenhum outro personagem, salvo a protagonista e Nacib; não precisava de histórias a parte para aumentar o já extenso resumo do livro. Sugiro a boa e velha leitura para conhecimento e desfrute de um romance tão pequeno com tantas histórias e permeios.

Gabriela era uma mulata que viajou até Ilhéus em busca de uma nova vida. A história se passa na terra conhecida pelo cacau, a fruta que enriqueceu a pequena vila e levou o desenvolvimento e estrangeiros em um tempo em que aos homens e coronéis era quase uma obrigação ter uma amante, enquanto as mulheres eram punidas com pena de morte em caso de traição.
Nacib era um comerciante solteiro de um dos conhecidos bares locais, o Vesúvio, e com a partida de sua cozinheira foi obrigado a encontrar outra. Eis o encontro entre Gabriela ("Bié" para o patrão) e "Seu Nacib". A beleza e encanto da mulata, que tinha como cheiro uma mistura de cravo e canela, seduziram todos os homens da região, e até as senhoras admitiam a formosura da jovem, que era alegre e solta na vida.
Com receio de perder a cozinheira e a amante de todos os dias, Nacib vence seu próprio preconceito e propõe casamento à Gabriela. Erro bobo. Antes houvesse escutado Josué, que preveniu que certas rosas são vivas devido a liberdade, quando presas murcham. Descrevia "Bié" sem saber. O compromisso foi aceito por ela por gratidão e por gostar do patrão de uma forma que jamais tinha gostado de alguém. As obrigações de uma mulher casada, de alto nível, contudo, eram acima do que ela podia suportar. Isso a levou a procurar Tonico, de uma forma que a levaria a morte naqueles tempos em Ilhéus. A civilidade falou mais alto e Nacib ao invés de matar expulsou Gabriela de sua casa, do bar e de sua vida; anulou o casamento e procurou esquecê-la.
Ela, por sua vez, magoada, recusou todos os convites dos coronéis e doutores da região. Ainda pensava no "moço bonito" do "Seu Nacib". E como nada melhor que o tempo para curar feridas antigas não preciso nem dizer que após voltas e reviravoltas Gabriela volta como cozinheira do comerciante e como não poderia voltar para sua vida? Quase um conto de fadas.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Uma história com história. "Moça com brinco de pérola"

Ganhei esse livro de uma pessoa que contribui massivamente para meu crescimento profissional e intelectual. Foi uma escolha que disse-me ter sido por aparências e isso levou-me a um livro diferente. Não apresentarei um livro como outros que já descrevi aqui com romance ou suspense em excesso e claro durante todo enredo. Classificaria essa história como um drama em primeiro ponto, seguida de romance, história e de certa forma um perfil. São 239 páginas de incertezas porque em cada capítulo uma emoção predomina, mas o livro não é de chorar como o anterior.
Imagem aproximada do quadro
"Moça com brinco de pérola"

"Moça com brinco de pérola" é o título. Lembrou-me um quadro, uma pintura desde o início e fez sentido por conter partes históricas ligadas a pintura de Johanes Vermeer. A autora, Tracy Chevalier, conta a história de Griet, uma menina humilde que em meio a pobreza em que vivia com a família, e a súbita perda de visão de seu pai, é obrigada a trabalha como criada na casa de um pintor. O ofício é árduo e cansativo para uma jovem que ainda nem havia entrado na fase adulta. Em uma cidade da Holanda do século XVII com grande distinção entre nobreza e pobreza e católicos e protestantes, Griet descobre os ares e ofício das artes e se encanta pelas formas, cores e tonalidades.
Durante o enredo o foco principal é a jovem - sua religião e o interesse pela arte - e nunca algo que não a ligue estará presente. Toda a trama desenvolve-se com ela e a medida que os meses e anos passam. É realmente como uma obra de arte - bem descritiva, de forma que cada mínima mudança ganhe uma descrição e cada quadro assuma vida própria ao ser lido. O ápice e título podem ser percebidos a partir de muito antes do fim, o que torna o livro bem previsível, porém não faz diminuir o interesse pela leitura, apesar do final ser o esperado. O título também é um resgate histórico, uma vez que Vermeer realmente pintou um quadro com esse título e descrições. A história por isso torna-se uma mistura de ficção com realidade.

Tracy Chevalier: escritora norte-americana de Washington nascida em 1962. Desde jovem manifestou o desejo de ser escritora e ainda na escola compunha alguns contos. Ao obter o diploma em Estudos Ingleses dedicou o tempo livre à escrita e, assim como muitos jovens nessa fase da vida, realizou uma viagem para a Europa, mais precisamente para a Inglaterra, onde começou a trabalhar. Publicou seu primeiro romance (The virgen blue) em 1997 e foi bem recebida pela crítica e enquanto aguardava seu primeiro filho escreveu Moça com brinco de pérola (Girl with a pearl earring), de 1999. Em 2001 surgiu Falling Angels, que reafirmou seu interesse em misturar romance com história.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Romance com "Noites de Tormenta"

Em Noites de Tormenta Nicholas Sparks mais uma vez não abre mão do romantismo, da ficção e da impossibilidade de se viver um grande e perfeito amor. É um livro incrível, digno de emoções profundas e para aqueles dispostos a envolverem-se com a trama, apaixonarem-se e sentirem cada palavra e emoção contida no livro. Só o título e a capa já fornecem uma ideia amorosa. Cada palavra e capítulo nos levam a imaginar e fantasiar o enredo e querer devorar o livro, saboreando todas as letras e pontuações e fazendo com que a história ganhe vida e imaginação. Sugiro que todos leiam o livro antes do filme (que ainda não tive oportunidade de assistir).
Resumidamente Adrienne Willis é divorciada, mãe de três filhos (Matt, Amanda e Dan) e com a morte do marido de sua única filha e seu visível declínio, se vê obrigada a compartilhar um caso passado que nunca havia revelado a ninguém. Após sofrer com uma separação de Jack, que a trocou por uma mulher mais jovem, Adrienne necessita de toda a força para criar seus filhos e aos poucos reestrutura sua vida, nunca imaginando em ter outro homem presente nela. É nesse contexto que conhece o Dr. Paul Flanner em um inesperado final de semana que mudou para sempre a vida dos dois.

Nicholas Sparks é formado em Economia pela Universidade de Notre Dame e atualmente reside na Carolina do Norte. Seu primeiro livro, "The Notebook" ficou conhecido após ter os direitos vendidos para a Warner Books. Com "The last song" e "Dear John"  Sparks ficou conhecido no Brasil.
"The truth only means something when it’s hard to admit."

Uma leitura interessante!