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sábado, 29 de março de 2014

O encontro de um romance



Não, antes que alguém me pergunte eu não procuro por um marido, já tenho um namorado maravilhoso (tirem o olho)! Acontece que algo nesse livro me chamou atenção. Eu já comentei algumas postagens antes que sou apaixonadas por romances bobinhos mamão com açúcar e historias gostosinhas que envolvem o leitor. Conhecia e gosto do trabalho de algumas autoras estrangeiras, como Sophie Kinsella, Meg Cabot e Marian Keyes, mas eis que uma olhada na livraria em busca de um bom e grande livro para minha viagem resultou nos meus olhos grudados em "Procura-se um marido". É bem verdade que me encantei por outros mais, contudo esse não saía de minha cabeça, e o fato de ser escrito por uma brasileira (mais tarde conto mais dela) me instigou ainda mais. Ora, nunca havia lido um nesse nível de boas escritoras nesse gênero que gosto tanto produzido por alguém próximo, na minha língua e pensei que mal não faria em descobrir as próximas páginas; valeu cada centavo.
Infeliz ou felizmente a publicação é maravilhosa, de tal maneira que fixei meu olhar nela e a li praticamente toda no meu trajeto tarde/noite no aeroporto. As 472 páginas voam de maneira que você não percebe, e só entende que o livro chegou ao fim no ponto final. É como se ele se intensificasse a cada parágrafo. As dores da personagem viram suas, as histórias podem ser nitidamente imaginadas, o roteiro é como se fosse real. E o mundo lá fora fica esquecido. Nada de prestar atenção nas comissárias e seus procedimentos de voo, ou nas crianças que gritam na sala de embarque, tudo se resume a obra. A própria autora confessou que emprestou seus próprios sentimentos à confecção da obra, nada mais natural, uma vez que todo escritor cria - ainda que de inconscientemente - um personagem que carregue suas características e seja sua semelhança.
A história gira em torno de Alicia, uma garota rica que é criada pelo avô após a morte dos pais em um atentado quando ela ainda era uma criança. Sem saber de um sério problema de saúde dele, ela vive uma vida desenfreada de gastos e confusões no exterior, até que a súbita morte do senhor a deixa tecnicamente sem nada. Obrigada a conter gastos e a viver regrada por um tutor, a jovem não vê outra alternativa a não ser cumprir uma cláusula de casamento para conquistar sua independência financeira e poder ter sua realidade de volta. O que ela não contava era conhecer seu marido ...
Sinceramente achei a capa bem fraca. Por ter trabalhado em editoração de livros encaro essa página o "chamariz" da história. Não a classificarei como feia e até gostei da fonte do título, entretanto ela não representa a ideia geral traçada pela autora no decorrer da obra. Ao bater o olho pensei ser mais uma daquelas publicações resgatadas após o lançamento de um filme e que ganhou a capa devido aos atores principais. Tudo isso porque acredito que a foto não foi a melhor saída para essa edição. Relevem isso (como eu fiz), percebam a boa ficção presente nas páginas e descubram um novo nome a acompanhar na literatura - e esse é brasileiro, oba.
Um romance bem delineado no estilo comédia romântica tipicamente americana. Para quem gosta desse tipo de leitura pode apostar que se envolverá no enredo e participará de todo sofrimento e alegria da trama. O leitor não deve esperar grandes surpresas, é algo previsível, mas que apresenta um elevado padrão, principalmente por se tratar de uma publicação nacional. Como mencionei anteriormente, a autora é uma grande descoberta nessa área. Recomendo aos que gostam.

Carina Rissi é paulista de Ariranha, interior de São Paulo, e confessa nas páginas finais de "Procura-se um marido" que sempre lê o fim do livro antes de decidir se o levará. Essa publicação é a segunda, e foi antecedida por "Perdida: um amor que ultrapassa as barreiras do tempo", que assim como na história que narrei acima, tem no amor o tema principal do enredo. Em entrevista para um blogger confessou que acabou por acaso no ramo literário incentivada pelo marido. Resta-me agora acompanhar a produção dela, que promete ser uma boa escritora nesse estilo.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

A encantadora Liesel Meminger




A vida de Liesel Meminger ganha sentido a cada página percorrida na obra de 494 páginas. Abandonada pela mãe em um lar estranho com um pai afetuoso e uma mãe firme, a menina desde cedo aprendeu a sobreviver. Viu seu irmão mais novo morrer, no cemitério roubou seu primeiro livro e o carregou consigo para um mundo novo. Sem saber ler ou escrever, aprendeu aos poucos a construir palavras. A paciência da figura paterna a ensinou cada articulação, e logo ela já não era mais analfabeta.
Em um tempo em que Hitler era exaltado na Alemanha, Liesel precisou canalizar todas as suas frustrações, esperanças e pesadelos na leitura, sua válvula de escape. Não bastasse isso ainda conhece Max, um judeu abrigado na pequena casa em que vivia, e figura que acabou se tornando um grande amigo com o passar dos anos. Os primeiros roubos, decepções, alegrias e amor ficaram registrados numa ficção com um grande toque de realidade.
São capítulos nem sempre muito claros. Não aconselho a um inexperiente e pesaroso leitor a se aventurar pelas páginas desse drama, pelo contrário. Recomendo a obra, com louvor, porém somente àqueles com alguma destreza literária - uma espécie de malícia - e que possam compreender os sentimentos de uma jovem adolescente.
"A menina que roubava livros" não é uma história que marcou uma legião, contudo é uma leitura que certamente inspira séria reflexão a todos que a leem. Isso porque trabalhar a questão nazista é sempre algo extremamente delicado, e se não for bem feito pode ser o ingrediente para o erro. Nessa mistura entre imaginário e realidade, entretanto, o autor soube contrabalancear os efeitos de ambos; um bestseller no melhor efeito das palavras.
A capa da publicação de reveladora não tem nada. Lembro de minha própria estranheza ao ganhar o livro, parecia que ele não me passaria nada. Fonte serifada (confesso que as vezes a encaro com um extremo pré-conceito nas capas), um branco que prendia o olhar, árvore preta, pessoa preta e uma única com em dois elementos: o vermelho, presente tanto na palavra "livro" (em destaque no título), quanto no guarda-chuva. Um [bom] mistério até hoje devido aos inúmeros significados que agora me representam.
Por isso, não um mero acaso levou os capítulos do livro a serem cenas de um filme de mesmo nome. A história de Liesel foi contada quase que de maneira magistral na direção de Brian Percival em pouco mais de 2h de duração. Uma boa pedida para os fãs menos entusiasmados com as palavras, um melhor efeito do drama.
Preparem os lenços e escolham a sua preferência. A minha continuará sendo a literatura.



Markus Zusak é o autor responsável por "A menina que roubava livros". Apesar da mistura entre seus pais (sua mãe é alemã e seu pai austríaco), Zusak é australiano e o mais novo entre quatro irmãos. Escreveu cinco livros, incluindo o bestseller aqui mencionado que alcançou a tradução para mais de 30 idiomas. Em entrevistas ele conta que optou pelo enredo por ter crescido com histórias sobre a Alemanha nazista e todo domínio que Hitler imperou no país e no mundo.

sábado, 22 de setembro de 2012

Um pequeno, porém sábio príncipe

Desde criança sempre fui apaixonada pelos livros. Lia tudo que me dessem e ainda conseguia ser uma viciada na biblioteca da escola quando muitos nem sabiam direito o que era isso. Aprendi a gostar de tantos livros e me encantar com diferentes histórias que muitas delas ainda são minhas companheiras anos depois, sempre lidas e com um olhar diferente. Um desses contos é o do "Pequeno Príncipe".
Com cerca de 9 ou 10 anos o li pela primeira vez. Não compreendi de imediato a essência das aventuras do príncipe, mas não deixei de ficar encantada com o livro e aquelas ilustrações estranhas que pareciam feitas por uma criança. Achei legal, nada mais que isso. Anos depois alguns professores comentaram sobre a riqueza da história e resolvi que deveria dar mais uma lida. Nessa época eu já devia estar com cerca de 14 anos, e surpreendi-me como nada mais parecia-se com a leitura que eu havia feito anteriormente. Prestei atenção em partes que eu jurava nunca ter percebido, tive uma outra visão literária e decidi que esse realmente era um livro incrível e digno de diversas interpretações. Por isso já mais velha resolvi que adoraria ter um exemplar e decidi comprá-lo em francês, pois nada melhor que a linguagem original dele, assim como as ilustrações.
É o livro de versão francesa mais vendido no mundo e uns dizem tratar-se da terceira obra mais traduzida mundialmente, tendo sido publicado em cerca de 220 idiomas ou dialetos.
 
Le Petit Prince nos mostra através de uma criança uma maneira filosófica e por meio do planeta que habitamos, os segredos e presentes da natureza. Além de escancancarar a solidão e as características, vaidades e histórias humanas. Por isso cada vez que o lê surge uma nova descoberta, uma maneira diferente de interpretar o enredo que é simples e marca com mensagens otimistas e de valorização do mundo em que vivemos. Toda essa obra de Saint-Exupéry trabalha os valores e por isso é tão indicada para todas as idades.
Abaixo um pequeno trecho do livro original em francês, seguido da tradução em português. É uma parte do diálogo entre o pequeno príncipe e uma raposa e nos dá uma dimensão da leveza e profundidade da leitura.
 
Em Francês:
"Je cherche les hommes, dit le petit prince. Qu’est-ce que signifie “apprivoiser”?
- Les hommes, dit le renard, ils ont des fusils et ils chassent. C’est bien gênant! Il élèvent aussi des poules. C’est leur seul intérêt. Tu cherches des poules?
- Non, dit le petit prince. Je cherche des amis. Qu’est-ce que signifie “apprivoiser”?
- C’est une chose trop oubliée, dit le renard. Ca signifie “créer des liens…”
- Créer des liens?
- Bien sûr, dit le renard. Tu n’es encore pour moi qu’un petit garçon tout semblable à cent mille petits garçons. Et je n’ai pas besoin de toi. Et tu n’a pas besoin de moi non plus. Je ne suis pour toi qu’un renard semblable à cent mille renards. Mais, si tu m’apprivoises, nous aurons besoin l’un de l’autre. Tu seras pour moi unique au monde. Je serai pour toi unique au monde…
- Je commence à comprendre, dit le petit prince. Il y a une fleur… je crois qu’elle m’aapprivoisé…"
 
Em Português:
"– Procuro os homens – disse o pequeno príncipe. – Que quer dizer “cativar”?
– Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
– Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
– É algo quase sempre esquecido – disse a raposa. – Significa “criar laços”…
– Criar laços?
– Exatamente – disse a raposa. – Tu não és ainda para mim senão um garoto igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo.
– Começo a compreender – disse o pequeno príncipe. – Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…"
 
 
Essa é a minha dica de leitura para essa semana. É realmente um livro digno de ser lido e relido, sempre com um novo olhar e descoberta.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

"O dia da caça" - ou seria do caçador?

Em "O dia da caça", James Patterson cria uma ficção a partir da história de Alex Cross, um detetive que perdeu a mulher em um caso nunca solucionado. Eis que a vida lhe proporciona outra surpresa, assassinatos de famílias inteiras começam a acontecer em Washington D.C., começando com o de uma ex namorada e amiga,Ellie Randall. Ele não deixaria outro crime sem solução e, para isso arrisca sua vida, família e reputação em busca de um assassino quase invisível.
A trama se passa nos Estados Unidos e na África, na caçada pelo responsável das mortes. No continente africano Patterson aproveita o livro (ainda que seja uma ficção) para descrever uma realidade de algumas regiões, marcadas por conflitos e assassinatos semelhantes a guerras civis, disputa por petróleos e diamantes, falta de condições básicas humanas (moradia e assistências médica e sanítária), além da denúncia de estupro a mulheres, comum entre algumas etnias.
O livro apresenta uma sequência de fatos nem sempre muito lógicas, pois por vezes precisa contar o assassinato, ao mesmo tempo que tem que retomar o foco central para o detetive e seu trabalho. Por isso os capítulos são muitos, porém todos bem curtos. A quantidade de páginas da edição também não é de se assustar, não passa de 212 páginas e no final contém prévias de mais duas histórias do autor, uma, inclusive, ainda com o Detetive Alex Cross como protagonista - uma série.
A capa é linda, em tom amarelo-alaranjado, porém não achei o título muito próprio para o livro. trata-se, ao meu ver, mais de uma perseguição que de uma caça. Contudo nada disso atrapalha ou influencia a leitura.

James Patterson é considerado um dos maiores escritores da literatura (ou romance) policial, com mais de 150 milhões de exemplares vendidos pelo mundo e traduções em aproximadamente 49 línguas. Publicou sua primeira obra em 1976 e acumula diversos prêmios ao longo da carreira, como o Edgar Award (reconhecido na área do suspense). Atualmente vive na Flórida e dedica-se a conlusões de outros trabalhos.


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Um crime chamado Bar Bodega

Atentei-me que nunca havia falado sobre o livro Bar Bodega. Tampouco o citei por aqui. Grande erro, uma vez que após descobrir e ler percebi que dos livros reportagens chocantes em minha vida ele disputaria o primeiro lugar com Abusado, de Caco Barcellos.

Bar Bodega relata a história de um assalto que terminou na morte de um cliente de um bar de classe média alta, em São Paulo. O estabelecimento pertencia a artistas de uma grande empresa de comunicação (rádio, impresso, televisão ...) e o ano era de eleições na capital paulista. Soma-se todos esses ingredientes e percebemos uma polícia necessitada por respostas e uma imprensa em alvoroço para uma acusação certeira. Não tardou a surgirem suspeitos. Um, dois, três, dez, sob tortura todos confessavam o crime, menos um. Não tinha problema, um amigo já tinha colocado-o na cena do crime. Reportagens de capa, debates na televisão, choque na sociedade. Um grande caso, que aparentemente estava concluído após o julgamento e a condenação.
Entretanto a história mudou. Um advogado resolve rever o processo e descobre inúmeras falhas e erros cometidos por pressa e obrigação de respostas a sociedade. Há uma nova análise e a verdade é descoberta. Não cabe aqui contar o final do livro, mas confesso que é chocante e ao mesmo tempo surpreendente. A revelação do poder e da influência que a mídia tem em nossa vida ganha uma dimensão ainda maior nos desdobramentos desse crime.

Como estudante de jornalismo serviu para análise não só de como julgamos errado muitas coisas do cotidiano, como também é preciso um cuidado extremo em acusações; principalmente tão graves como foram essas. São casos que estão presentes e que passam muitas vezes despercebidos pela população em geral, porém marcam a vida principalmente dos que estão envolvidos. O rótulo dado a alguém em um veículo de comunicação pode marcar de forma positiva ou negativa um inocente. É uma discussão interessante e que merece total atenção dos profissionais e estudantes da área, a delicadeza de se trabalhar com palavras.